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No domínio liderança e gestão, as competências identificadas envolveram aspectos relacionados ao trabalho em rede, preconizando a longitudinalidade do cuidado e a prática de ações intersetoriais que promovam a saúde sexual e reprodutiva. Apesar da longitudinalidade ser um princípio norteador da APS,ela não foi considerada como competência na perspectiva da saúde sexual e reprodutiva em outros estudos. Também foram realizadas e gravadas entrevistas semiestruturadas com docentes de dedicação exclusiva que lecionavam as disciplinas que abordavam os conceitos de saúde sexual e reprodutiva. No período da realização da pesquisa, o curso contava com dez docentes de dedicação exclusiva, sendo uma delas a orientadora do estudo.
O primeiro questionário constava de três questões abertas para que o grupo de especialistas selecionados listassem três competências que acreditassem ser necessárias para o trabalho em equipe na atenção a SSR na APS. O instrumento foi submetido a um pré-teste com três docentes que atuam na área com a finalidade de avaliar o constructo do questionário e certificar que as informações podiam ser entendidas com clareza. A visão da maioria das docentes entrevistadas é que os conceitos são trabalhados em toda a disciplina, tanto na teoria como na prática. Os documentos mostraram que realmente houve uma evolução desses conteúdos com maior ampliação a partir do final da década de 80 e início da década de 90.
Uma negou-se a participar e outra disse não ter tempo disponível, de tal modo que as entrevistas foram realizadas com sete docentes. A abordagem foi viabilizada com a entrega de uma carta-convite e do resumo do projeto a cada uma das docentes, a fim de agendar a data para realização das entrevistas, que foram realizadas nas salas das docentes. Posteriormente, as entrevistas foram transcritas e o material resultante foi arquivado em mídia para ser preservado por cinco anos. Neste Programa, a Enfermagem ampliou seu espaço de atuação, com a possibilidade de desenvolver atividades educativas, consultas de enfermagem e demais ações próprias da atenção primária, nos serviços de pré-natal e planejamento familiar.
Entende-se por pesquisa documental o estudo desenvolvido sobre material elaborado previamente e que ainda não tenha recebido tratamento analítico. No presente estudo, a fonte do material empírico foi composta por documentos de primeira mão, que não haviam passado por análise prévia(8), o que incluiu os currículos de enfermagem da EEUFBA de 1972 a 2006. A escolha desses períodos ocorreu pela influência dos Programas de Atenção à Saúde da Mulher, inicialmente na década de 1970, quando ocorreu a implantação do Programa Materno-infantil, e em 2004, quando houve a reorganização das políticas de saúde mulher, no PNAISM.
A partir do final da década de 1980 começa a surgir um olhar diferenciado, buscando superar a atenção voltada unicamente ao ciclo gravídico-puerperal, que se intensifica nas décadas de 1990 e 2000. As metodologias de ensino também apresentam forte evolução e as aulas puramente expositivas são substituídas por seminários, simpósios, visitas domiciliárias e atividades educativas, entre elas as oficinas. No início da década de 1980, deixaram de existir as habilitações em obstetrícia e em saúde pública e o curso foi renomeado Bacharelado em Enfermagem. Não foi possível analisar os programas das disciplinas de todos os anos estabelecidos, pois alguns documentos não foram encontrados.
Pode-se dizer que os conteúdos detalhados são importantíssimos para a formação de todo profissional de saúde, uma vez que o preparam para lidar com diversas questões sociais, culturais e de gênero. Torna-se, pois, indispensável implementar a transversalidade desses conteúdos em outras disciplinas curriculares a fim de possibilitar a incorporação da integralidade do cuidado à formação profissional. Os currículos e demais documentos das disciplinas analisados guardam relação com as falas das docentes entrevistadas e com o direcionamento dado à proposta de ensino do curso de graduação em Enfermagem da UFBA, em resposta às demandas de formação na área de saúde. Num primeiro momento, até início dos anos 1980, sem influências das reflexões oriundas do movimento de mulheres e depois absorvendo suas ideias e propostas, especialmente após a constituição do GEM, grupo de pesquisa com esse enfoque.
O programa também incorporou nas práticas em saúde o ideário feminista favorável à emancipação das mulheres. Um de seus pontos principais era o planejamento familiar, fundado no princípio de que toda mulher tem livre escolha e o direito de decidir sobre ter ou não filhos. No Brasil, as discussões sobre a sexualidade e a reprodução foram institucionalizadas a partir da década de 1950 do século XX, período em que se manifestaram preocupações governamentais significativas com o crescimento populacional, dada sua possível interferência no crescimento econômico. Desse momento em diante, nas décadas de 60 e 70 do mesmo século, houve maior investimento do governo brasileiro com relação à formulação de programas para o controle da natalidade, sob a forma de planejamento familiar.
Assim, escolas e serviços de saúde podem ser grandes aliados a fim de minimizar riscos e proporcionar proteção à saúde, garantia de exercícios dos direitos e maior autonomia na escolha acerca da contracepção, o mais precoce possível. Analisar indicadores de saúde sexual e reprodutiva de adolescentes com base nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) em 2015, comparando-os aos de 2009 e 2012. A adolescência é uma fase de crescimento cheia de mudanças e descobertas, que aflora o lado "sexual". Algumas pessoas acreditam que "sexualidade" é o que se refere às relações sexuais ou aos órgãos genitais. No entanto, é um conceito muito mais amplo, é um processo dinâmico e complexo que se inicia ao nascer, se manifesta de diferentes formas ao longo da vida e envolve também sentimentos, emoções e o processo de formação da própria identidade.
O adolescente também tem direito a cuidados confidenciais, isso significa que tudo o que ele debate naquele espaço é protegido pelo sigilo profissional e ninguém mais pode saber. As competências refletem o estágio atual de discussão e consolidação de conhecimentos na realidade brasileira e constituem elemento para interlocução internacional na discussão a respeito da organização da assistência em SSR. Poderão subsidiar a formação de profissionais de saúde e, por serem transversais o planejamento de ações e as práticas das equipes no âmbito da saúde Sexual e Reprodutiva.
Isto marca as discussões sobre o processo saúde-doença das mulheres quando não relacionado à reprodução. Além disso, as ementas aparecem mais descritivas, detalham um número maior de agravos à saúde da mulher e abordam a sexualidade a partir de transtornos e desvios. A temática do aborto só apareceu nas ementas na década de 1990, mesmo sendo um grave problema de saúde pública no município de Salvador. Na década de 1990, os conceitos de saúde sexual e reprodutiva foram ampliados com a introdução da categoria gênero, instrumento útil para compreensão da situação da mulher na sociedade.