Saiba como resolver
A aplicação espacial de inseticida, em ultrabaixo-volume, deve ser reservada para situações especialíssimas de surtos epidêmicos, tendo em vista sua baixa eficácia, danos ao meio ambiente e custo elevado. A eliminação de criadouros para redução da densidade de infestação e conseqüente redução da transmissão da doença é de natureza multi-setorial, uma vez que depende de melhoria do abastecimento de água, da coleta regular do lixo, das condições de moradia e da educação da população4. Não há no mundo, atualmente, país que tenha eliminado a transmissão do dengue, após sua re-emergência na metade do século passado.
As doenças transmitidas por vetores afetam as populações mais pobres, particularmente onde há falta de acesso à moradia adequada, água potável e saneamento. Nas últimas duas décadas, muitas doenças importantes transmitidas por vetores reapareceram ou se espalharam para novas partes do planeta. Mudanças ambientais, aumento substantivo de viagens e do comércio internacional, mudanças nas práticas agrícolas e uma rápida urbanização não planejada estão causando aumento no número e na disseminação de muitos vetores em todo o mundo e tornando novos grupos de pessoas vulneráveis.
As doenças transmitidas por vetores são causadas por patógenos e parasitas em populações humanas. Todos os anos há mais de um bilhão de casos e mais de um milhão de mortes por doenças transmitidas por vetores mundialmente, como malária, dengue, esquistossomose, tripanossomíase africana, leishmaniose, doença de Chagas, febre amarela, encefalite japonesa e oncocercose. É responsabilidade do Suporte Laboratorial, planejar, orientar, realizar controle de qualidade e coordenar as atividades laboratoriais de vigilância epidemiológica referente à entomologia. Além disso, responde pela taxonomia de animais peçonhentos, carrapatos e pulgas, flebotomíneos, triatomíneos, morcegos, ovos e larvas de culicídeos (Aedes aegypti, Aedes albopictus, entre outros), insetos em geral.
Doença de Chagas – Apesar de o Pará ainda ser responsável por 80,95% dos casos de doença de Chagas no Brasil, o número de casos confirmados dessa endemia também vem caindo no estado. Foram 68 casos confirmados de janeiro a julho de 2021 contra 100 casos confirmados no mesmo período de 2020, alcançando uma redução de 32%. Os municípios com mais casos são Bagre (13), Barcarena e Cametá (07), Oeiras do Pará (06) e Curralinho e Igarapé-Miri (05).Segundo o coordenador estadual de Doença de Chagas, Éder Amaral, 82,35% dos casos têm sido registrados na zona rural, a maioria da contaminação (62,50%) tem ocorrido dentro de casa e o principal modo de infecção é a oral (84,58%).
A leishmaniose tegumentar (LT) e a leishmaniose visceral (LV) estão incluídas na lista nacional de doenças e agravos de notificação compulsória, de acordo com a Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de setembro de 2017, anexo V – Capítulo I. É uma doença infecciosa febril, causada pelo vírus Chikungunya, que pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus (mesmos mosquitos que transmitem a dengue e a febre amarela, respectivamente). Uma atividade antivetorial extremamente exitosa foi o controle da transmissão vetorial da doença de Chagas, com a eliminação, em grande parte do território nacional, do seu principal vetor, o Triatoma infestans. Extremamente domiciliado em casas de pau-a-pique, foi vulnerável à ação de inseticida aplicado de forma seletiva em localidades e domicílios infestados. A perspectiva é a de manutenção de uma vigilância entomológica para detecção de eventual domiciliação de outras espécies transmissores.
“Vamos continuar atuando juntamente com os Centros Regionais de Saúde garantindo apoio, assessoria técnica e capacitação aos 144 municípios paraenses”, afirmou. Segundo a coordenadora de Entomologia, Bárbara Almeida, em relação à doença de Chagas, uma das atividades importantes é a implantação de Postos de Informação de Triatomíneo (PITs), onde a população pode entregar barbeiros capturados em suas casas. A data comemorativa foi instituída pela lei 5.352 de 8 de novembro de 1967, com a finalidade de promover a educação sanitária e despertar na população a consciência do valor da saúde. Outro objetivo é homenagear e recordar a vida e o trabalho de Oswaldo Cruz, um dos principais responsáveis pelas erradicações de perigosas epidemias que acometiam o Brasil no final do século XIX e começo do século XX.
“A transmissão ocorre por inúmeros alimentos contaminados com o trypanosoma cruzi, transmitido pelas fezes do inseto barbeiro, entretanto o açaí e a bacaba estão entre os mais envolvidos devido ao consumo rotineiro e sem controle de higiene e cuidados no momento do processamento”, explicou. “E graças às notificações em tempo hábil, mais de 90% dos casos confirmados tem evoluído para a cura da doença”, enfatizou o coordenador. Planejar e estabelecer (recomendar/adotar) estratégias que promovam a integralidade das ações voltadas para a minimização dos riscos à saúde pública, controle de eventos, doenças e agravos decorrentes dos fatores de riscos ambientais, de modo a otimizar os recursos necessários e potencializar o efeitos na saúde e qualidade de vida das pessoas com foco na eficiência, eficácia e efetividade dos resultados. A prevenção da re-urbanização da transmissão da febre amarela tem sido efetiva no país pela redução da incidência da forma silvestre, por meio da vacinação, e do combate ao mosquito Aedes aegypti, seu principal vetor, que re-infestou o país de forma definitiva a partir de 1976.