A despeito de todas as considerações acima delineadas, são incontestes os esforços realizados para a composição, estruturação e delineamento de Indicadores de Saúde Globais, induzidos, portanto, pelos processos de globalização. Um exemplo é a possibilidade de se valer da realidade virtual nos cursos técnicos em enfermagem, principalmente no interior, para a realização de visitas técnicas em setores de alta complexidade em hospitais de grande porte. Já o metaverso pode possibilitar a criação de ambientes virtuais e seguros para simulação, com interações físicas, voltados para aulas de biossegurança, consultas, laboratório de anatomia humana em realidade virtual e outros. “Metaverso e realidade virtual nos processos educativos em saúde” será ministrada pelos professores da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Me. André Luiz Fialho Coutinho, que abordarão acerca da adoção de novas tecnologias nos processos formativos da saúde.
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Garantir os direitos dos migrantes, em especial o acesso à saúde, é necessário para que todos, inclusive a sociedade que os acolhe, beneficiem-se desse movimento. Essa é a principal conclusão do relatório sobre migração e saúde que acaba de ser divulgado pela revista científica britânica The Lancet em parceria com a University College London (UCL), na Inglaterra. A partir de evidências obtidas em extensa revisão de estudos sobre o tema, o documento contesta estereótipos e mostra o hiato existente entre os serviços de saúde disponíveis aos migrantes e suas reais necessidades.
Aliás, deve-se questionar, de forma pragmática, não só estes aspectos como também a pertinência, utilidade e custos envolvidos na coleta de determinados dados em nível nacional. Afinal, isto inclui investimento e expertise por parte dos governos e gestores de saúde em todo o mundo, além de responder às perguntas formuladas localmente, e não globalmente. Essas e outras iniciativas têm como objetivo central orientar e influir nos sistemas nacionais de saúde, sobretudo mediante ferramentas de informação e de comunicação, para reunir dados sobre saúde em todo o mundo e organizar protocolos internacionais e locais para atender as demandas dos diversos países. Além disso, os dados disponíveis, apesar de úteis para o entendimento dos efeitos totais dos processos globais, retratam também variedades locais e mecanismos biológicos diversos.
Estudos citados pela pesquisa mostram, por exemplo, que, nos Estados Unidos, operários latinos da construção civil estão duas vezes mais sujeitos a morrer em decorrência de acidentes de trabalho do que os demais operários do setor. Não queremos, portanto, dizer que os indicadores são mera construção retórica, mas que seu uso tem também o objetivo de persuadir, mediar e intervir numa arena onde a disputa sobre a direcionalidade, o foco e o financiamento das políticas é muito intensa. Neste sentido, consideramos a construção e uso dos indicadores de saúde na política uma prática social onde sua suposta neutralidade é mais uma estratégia de persuadir as comunidades que trazem, em sua trajetória, os valores do imaginário técnico-científico da modernidade. Isto delineia, de modo bastante contundente, a forma como a apropriação dos indicadores como “determinantes” na tomada de decisão para o desenho de modelos de gestão ou para a formulação de políticas ou, mesmo, para a elaboração de sistemas nacionais de saúde é frágil. Dessa maneira, cabe ressaltar as inúmeras diferenças que podem ocorrer na forma como conceitos – aparentemente corriqueiros – são definidos e mensurados em diferentes países, regiões ou contextos. Ou, em outras palavras, lembrar que as concepções, mensurações e/ou coletas de dados, nos mais variados lugares e espaços, não se realizam de maneira padronizada, havendo não só diferenças entre regiões de um mesmo país, como também, e sobretudo, entre países.
“Os temas dessas duas palestras estão relacionados com os desafios que a ETSUS terá que enfrentar nos próximos anos para realizar a formação de técnicos de nível médio preparados e qualificados para as dificuldades e potencialidades que o setor saúde e as sociedades, cada vez mais ‘globalizadas’ e tecnológicas, terão que enfrentar em um breve futuro”, aponta. Outro mito enfrentado é o de que as migrantes teriam taxas de fertilidade mais elevadas do que as nativas, o que levaria essas comunidades a crescer em ritmo mais rápido do que a sociedade que as recebe. Estudos realizados em seis países – França, Alemanha, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido – mostram que ocorre o contrário. À exceção das imigrantes turcas, as taxas médias entre migrantes são inferiores a 2,1 e apresentam tendência de queda, indicando que mal ultrapassam o nível da reposição populacional.
Todavia, deve-se considerar que não há consenso sobre o que seja Saúde Global, nem uma única definição, e seu campo de ação tem limites imprecisos. [newline]A dinâmica da globalização pode ser resumida como a internacionalização da produção e do consumo, dos valores e costumes por meio do movimento de capital, força de trabalho, tecnologia e informação. Com a incumbência de formar e qualificar os trabalhadores de nível médio que atuam no SUS (Sistema Único de Saúde), a ETSUS (Escola Técnica do SUS) Professora Ena de Araújo Galvão, em comemoração aos seus 37 anos, oferece nesta sexta-feira (21) as palestras “Metaverso e realidade virtual nos processos educativos em saúde” e “Saúde global e sustentabilidade na formação dos trabalhadores em saúde”.
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Confira todas as edições dos Cadernos CRIS - Informe sobre Saúde Global e Diplomacia da Saúde, publicação quinzenal que vem acompanhando a situação da pandemia de Covid-19 internacionalmente, mapeando cenários epidemiológicos, crises e ações para o controle da doença. A outra vertente, de caráter mais instrumental, utiliza a saúde como ferramenta para viabilizar interesses próprios de países mais preocupados com a sua própria segurança sanitária, em aspectos fronteiriços, militares, econômicos e comerciais.
Tendo a Globo como parceiro estratégico e Copatrocínio da B3, Droga Raia e White Martins, conta ainda com apoio de Bloomberg, EMS, Renner, TechnipFMC e Valgroup. Além da Accenture, DataPrev e Granado apoiando em projetos especiais, contamos com os parceiros de mídia SulAmérica Paradiso, Rádio Mix e Revista Piauí. A OMS recomenda a integração da prevenção e cuidados nos programas de saúde existentes, para permitir o acesso contínuo aos cuidados e uma resposta rápida para lidar com futuros surtos. “Embora saudemos a tendência de queda dos casos de mpox globalmente, o vírus continua afetando comunidades em todas as regiões, inclusive na África, onde a transmissão ainda não é bem compreendida”, completou Adhanom. A hipótese do estudo é que, ao desembarcar, os estrangeiros tinham maior capital humano do que os brasileiros, mensurado a partir de enumeramento – a capacidade de lidar com números. Na pesquisa, isso foi avaliado através de documentos históricos que registraram a idade declarada pelos estrangeiros ao desembarcar em portos brasileiros.