Além disso, os professores precisam de inteligência emocional e preparação psicológica para poder enfrentar os problemas e desafios desse processo de ensino e aprendizagem. Segundo Mary Figueiró, a criança quando é bem informada fica menos vulnerável a sofrer abusos sexuais, “A criança bem esclarecida, que conhece o seu próprio corpo, que foi ensinada a partir, digamos, dos 4 anos, sobre suas partes íntimas, já sabe reconhecer qualquer aproximação inapropriada de um adulto”, explicou. Os artigos publicados pela revista são de uso gratuito, destinados a aplicações educacionais e não comerciais.
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Diante desse quadro, a escola torna-se um espaço ao qual a criança e o adolescente podem recorrer. Assim como a educação sexual traz para a sala noções para a prevenção dessa violência, como reconhecer que certas formas de tocar em crianças não são permitidas ou demonstrar o que fazer se alguém as tocar de maneira não permitida. A escola deve ser entendida como instituição social inserida na práxis social como um todo e seu papel deve ser de formação de homens e mulheres omnilaterais, capazes de apropriação plena da condição humana e inserção emancipadora no mundo do trabalho, da cultura e das vivências sexuais realizadoras. Implica reconhecer a pertinência do espaço institucional escolar e os limites e condições da abordagem da sexualidade como tema curricular na escola (Nunes; Silva, 2000, p. 17). Para a Educação Integral, a responsabilidade pela educação sexual de crianças e adolescentes é compartilhada entre famílias e escolas, e se mostra como alternativa de fonte mais segura de informações do que a internet ou outros meios afins. Essa política neoliberal voltada ao fortalecimento do mercado precisou se adequar às mudanças sociais, desse modo cooptando algumas pautas de grupos minoritários e promovendo o individualismo.
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Consentimento faz parte de um movimento que nasceu impulsionado por uma estudante que perguntou em sua rede social se alguém já tinha sido agredido sexualmente dentro da escola. Foram mais de 200mil respostas contando casos e a partir daí, Chanel Contos abriu uma petição para exigir do governo que educação sexual fosse pauta obrigatória dentro das escolas. É dever garantir serviços de orientação e atendimento a adolescentes e jovens antes de sua atividade sexual, para ajudá-los a lidarem com a sua sexualidade de forma positiva e responsável, incentivando comportamentos de autocuidado. Cada instituição deve definir a melhor forma de aplicar — baseando-se em sua comunidade escolar e na formação de seus professores para falar do assunto. A educação sexual nas escolas também pode ajudar a criança e o adolescente a entender e ficar em paz com seu próprio corpo — principalmente nesse momento de tantas mudanças. Na Inglaterra, a educação sexual será ampliada e passará a cobrir diversos tópicos, como relacionamentos homoafetivos, transgêneros, menstruação, violência sexual, saúde mental, mutilação genital, casamento forçado, pornografia e sexting.
Existe incentivo e preocupação do governo em instruir a população sobre seu próprio corpo? A existência de diversos tabus, preconceitos e a falta de diálogo contribuem para que crianças e adolescentes fiquem vulneráveis sobre o seu corpo e sua sexualidade. Para mudar esse cenário, especialistas na área são enfáticos ao defender a educação sexual na escola como uma ferramenta para possibilitar que os jovens conheçam o próprio corpo, promovendo orientação e proteção. O objetivo principal da educação sexual é preparar os adolescentes para a vida sexual de forma segura e consciente.
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Por lei, os 16 Estados Federais da Alemanha são obrigados a promover a educação sexual na escola em parceria com instituições de aconselhamento familiar. Os professores discutem sobre a igualdade de gênero, valores sociais, emoções relacionadas à sexualidade e relacionamentos, além dos aspectos biológicos. A pesquisadora ainda afirma que a educação sexual é muito mais do que apenas falar sobre sexo. “Não é falar sobre ‘sexo’ e sim sobre ética, respeito, igualdade de direitos e de gênero. Por exemplo, eu sempre questiono, para que fazer fila de meninos e meninas para entrarem ou saírem da sala? São tantas questões que devem ser feitas sobre as questões de gênero, e deveriam dialogar sobre isso e agirem de forma diferente, respeitando a todas(os)”.
Quanto à experimentação erótica, à curiosidade e ao desejo, estes são considerados comuns, quando a dois. A potencialidade erótica do corpo a partir da puberdade é concebida como centrada na região genital, enquanto à infância só é admitido um caráter exploratório pré-genital. Os conteúdos devem favorecer a compreensão de que o ato sexual, bem como as carícias genitais, só tem pertinência quando manifestado entre jovens e adultos (Altmann, 2001, p. 581). Medos, inseguranças, baixa auto-estima, assimetrias de gênero nas negociações sobre direitos sexuais e reprodutivos podem derivar em uma gravidez, quer para mulheres jovens quer para adultas, inclusive como forma compensatória. Aliás, é interessante notar que se acentua o caráter de não planejada, não desejada, para as gravidezes ocorridas entre jovens, sem se fazer referência que tal tipo de gravidez possa ocorrer também para mulheres adultas.
https://brasilescola.uol.com.br/drogas/maconha.htm
No futuro, cuidará do corpo visando a não transmissão de IST, bem como a gravidez não planejada”. A educação sexual, atualmente chamada educação em sexualidade, é uma matéria que contempla maneiras de ensinar sobre as expressões da sexualidade para crianças e adolescentes, tanto no âmbito familiar quanto escolar. Há quem diga que Educação Sexual é desnecessária e pode corromper a inocência da criança. Mas, contrário a tudo isso, os números crescentes de abuso de vulnerável mostram a necessidade de informar crianças, jovens e adolescentes, sem tabus e preconceitos, sobre sexo para combater a violência sexual. A educação sexual é uma questão de saúde pública e ensino básico, que anda em debates controversos no Brasil.